Campeão de categorias inferiores, Bortoleto projeta sucesso também na F1
O piloto Gabriel Bortoleto chega a Interlagos para a disputa do GP São Paulo de Fórmula 1 com praticamente duas temporadas de experiência na categoria. Liderando o projeto da Audi, que faz sua estreia no ano de 2026, o brasileiro acredita que pode repetir a fórmula de sucesso que lhe deu os títulos da F3 e F2, também em equipes que jamais haviam sido campeãs – mas, no caso da F1, a paciência para a chegada dos bons resultados será fundamental.
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Em entrevista exclusiva ao ge.globo na véspera da prova em São Paulo, Bortoleto destacou o bom progresso da Audi no sua temporada de estreia – na etapa passada, no México, o brasileiro marcou quatro pontos ao conquistar o oitavo lugar.
– Temos um plano de longo prazo com a Audi e quero ser campeão com eles. Posso falar que fiz isso de certa maneira com duas equipes anteriores, na F3 e na F2. É lógico que esses times já estavam lá há alguns anos, mas nunca tinham sido campeões, tanto a Trident quanto a Invicta. Posso dizer que contribuí para levar essas equipes ao título. Trabalhei muito duro para isso. É óbvio que é uma condição diferente, é uma equipe muito menor que uma equipe de F1, mas ao mesmo tempo eu senti que eu fiz parte desse desenvolvimento para trazê-las ao título. E não é diferente aqui, quero fazer a mesma coisa com a Audi.
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Na sexta-feira (6), a partir de 12h30 (horário de Brasília), o sportv3 transmite ao vivo o primeiro treino livre do GP Brasil. O canal exibe também, às 16h, a segunda sessão. Já a transmissão do terceiro treino livre, é no sábado (7), às 11h30.
Ainda no sábado, às 15h, a TV Globo, o sportv3 e o ge exibem ao vivo a classificação para a corrida em Interlagos. No domingo (8), a TV Globo exibe a corrida ao vivo a partir de 13h30, e a prova também terá transmissão do sportv3 e do ge, que acompanhará todas as atividades de pista em tempo real.
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O pensamento de desenvolver o projeto com a Audi em longo prazo e conquistar pódios, vitórias e lutar pelo título também é compartilhado pelo líder do projeto, Mattia Binotto. Em recente entrevista ao ge.globo no GP de Singapura, o italiano elogiou Bortoleto e comparou sua atitude dentro da equipe com a de Michael Schumacher, com quem trabalhou nos anos 2000 na Ferrari, quando o alemão conquistou cinco dos seus sete títulos na F1 (de 2000 a 2004).
Bortoleto ficou lisonjeado pela comparação, mas fez questão de ressaltar que ainda precisa conquistar seu espaço na F1.
– Eu acho que Schumacher, Senna, Hamilton, Verstappen, todos esses caras fizeram história no automobilismo, e são os melhores de todos os tempos. Eu só estou começando na F1, é meu segundo ano, sou muito jovem ainda. Entrei muito cedo e tenho muito a aprender, a melhorar, como profissional, como pessoa, como um líder, seja o que for, eu ainda tenho muito a aprender e aprendo muito com o Mattia. Ele me conta muito sobre o Schumacher, então é uma oportunidade de me ensinar. E contando coisas do Michael, eu tento aprender e replicar isso nas minhas atitudes. Lógico que eu me sinto muito privilegiado, por ter recebido uma comparação, principalmente sendo do meu chefe, que é uma pessoa muito importante para mim, que me deu a oportunidade de estar na F1, e eu fico feliz de saber que ele está muito contente com o que faço pela equipe. Mas ainda tenho muito chão pela frente para chegar aos pés de pilotos como esses que eu comentei agora.
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Gabriel Bortoleto conversa com Mattia Binotto, CEO da Audi
Divulgação/Audi
Entre as atitudes elogiadas por Binotto, estão a resiliência de Bortoleto e a maneira como o brasileiro lida com as frustrações naturais de um primeiro ano da equipe na F1. O piloto da Audi ficou mais de três meses sem marcar pontos entre o GP da Bélgica, em julho, e o do México, no último fim de semana, e na própria prova mexicana perdeu duas sessões de treinos livres com problemas no carro. Bortoleto destacou a importância da paciência e também que a torcida brasileira compreenda este momento.
– Espero que os torcedores entendam a magnitude do projeto. Só quem está aqui no dia a dia e acompanha de perto vê o que a gente está fazendo. Na TV, muitas vezes, você só consegue ver o resultado, não vê o trabalho por trás das cenas. Me sinto privilegiado de fazer parte de uma equipe que também está criando algo, principalmente com uma marca como o nome da Audi.
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Gabriel Bortoleto no Autódromo Hermanos Rodríguez, casa do GP do México
Raquel Cunha/Reuters
O fato de ter se tornado piloto de uma equipe de fábrica, com pretensões de ser uma das grandes da F1 até 2030, aumenta a responsabilidade de Bortoleto em seu segundo ano na categoria, já que estreou competindo ainda pela Sauber em 2025.
– É uma responsabilidade grande, porque, quando você está numa equipe que esteja já há muitos anos, a chance de você cometer erros talvez seja menor, porque a base já é mais forte, melhor, estruturalmente falando também. Na Audi, a gente vive altos e baixos juntos, a gente aprende juntos, e isso me fascina.
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Motivar a equipe nos momentos certos e também saber preservar seus integrantes em momentos difíceis são atitudes que grandes campeões tiveram em suas campanhas de sucesso, como o próprio Binotto explicou para Bortoleto usando novamente o caso de Michael Schumacher na Ferrari.
– O Michael sempre foi um cara que protegeu muito a equipe, seja em momentos bons ou difíceis, e eu tento aplicar isso, porque é assim que você constrói uma equipe, uma empresa. Não é apontando o dedo, ou julgando, ou jogando a pessoa na jaula dos leões, para levar uma crítica. E a equipe faz a mesma coisa comigo, e eu acho que é assim que se monta algo legal. Fico muito feliz pela equipe confiar na minha liderança, na minha palavra, na minha direção, e é isso. Muitos momentos vão ser frustrantes por as coisas não encaixarem, mas acho que está todo mundo ciente na nossa equipe que isso vai acontecer. Os momentos bons virão, e celebraremos juntos.
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