quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Noroeste

Professora de Potirendaba é afastada após falas racistas em aula

Câmeras de segurança registraram declarações preconceituosas e intimidações contra crianças; caso foi levado à Justiça e ao MPT.

Professora é afastada após falas políticas e comentários discriminatórios em sala de aula 

Uma educadora da rede de ensino municipal de Potirendaba, no interior paulista, foi suspensa de suas atividades após dirigir declarações de teor político e cunho abertamente preconceituoso a uma turma de estudantes de 11 anos. A medida foi oficializada pela Prefeitura nesta quarta-feira (21), com base nas filmagens do circuito interno de vigilância instalado dentro da sala de aula.

Denúncia da família motivou intervenção

O episódio chegou à prefeita Gislaine Montanari Franzotti por intermédio da mãe de uma das alunas. A responsável buscou o poder público ao notar que a filha retornou para casa abalada e em prantos devido à abordagem adotada pela professora durante a aula.

Ao conferir os registros em vídeo, a administração identificou que a mulher falava sobre cenários políticos nacionais e tentava associar ideologias autoritárias a figuras da direita no Brasil, estendendo a discussão para julgamentos sobre a cor da pele e características físicas das crianças presentes.

Associações políticas e constrangimento aos alunos

Durante a explanação, a docente argumentou que a ascensão de determinadas lideranças políticas resultaria no extermínio de determinados grupos sociais e que unicamente pessoas ricas e brancas escapariam com vida. Em uma das gravações, ela sustenta: “Se o nazismo acontecesse hoje, ou se algum governo com o qual a gente corre esse risco, né. A gente corre muito o risco de o país virar um fascismo”.

Questionada por um estudante a respeito do significado de fascismo, a educadora afirmou: “É extrema direita, que prega Deus, pátria e família”.

Logo em seguida, outro estudante indagou se a definição equivalia às ideias divulgadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). A servidora concordou: “Mesma coisa. É o que o Flávio Bolsonaro e o Bolsonaro querem fazer. Então, a gente corre o risco de entrar em uma era dessa, só de brancos e ricos”. Na mesma fala, ela ainda trocou referências históricas ao alegar que o modelo defendido reproduzia o que Benito Mussolini teria feito na Alemanha e Adolf Hitler na Itália.

Classificação dos estudantes por características físicas

Ainda durante a aula, a funcionária pública começou a apontar diretamente para os alunos, sinalizando quem sobreviveria sob um regime desse tipo. A gravação flagrou o momento da fala: “Ia sobreviver pouca gente. Oh, você ia morrer, pois você é parda [..] Ela não, ele não, pois é loirinho de olho claro”.

Diante disso, uma aluna expressou preocupação e perguntou: “Professora, então eu ia morrer, né?”. A docente retrucou: “Claro que iria, você está lá com um pezinho na senzala”.

Abertura de processo administrativo e acionamento da Justiça

Após a comprovação dos diálogos, o governo municipal determinou o afastamento imediato da servidora e instaurou um processo administrativo disciplinar com o objetivo de investigar a conduta a fundo.

Em comunicado, o Executivo de Potirendaba ressaltou que acionou órgãos de controle, incluindo a Justiça da Infância e Juventude e o Ministério Público do Trabalho (MPT), reiterando que o tratamento de fatos históricos em ambiente escolar exige rigor pedagógico, equilíbrio e zelo pela integridade psicológica das crianças. O nome da professora não foi tornado público e, até o momento, a sua defesa técnica não se pronunciou.

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