Os sócios do Vasco da Gama participam nesta sexta-feira, dia 23 de outubro, da Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para decidir sobre a proposta de investimento da Almirante Participações e Empreendimentos S.A., empresa ligada a Marcos Lamacchia. O processo envolve a aquisição de 90% da SAF do clube em uma operação que pode ultrapassar a marca de R$ 3 bilhões, com votação presencial na Sede Náutica da Lagoa ou de maneira remota pelo sistema eletrônico oficial, ocorrendo das 10h às 20h.
Aportes financeiros e foco no futebol
A oferta inicial determina um repasse mínimo de R$ 500 milhões voltado estritamente para o departamento de futebol, fracionado em cinco parcelas anuais de R$ 100 milhões corrigidas pelo INPC. Esse montante será direcionado para contratações, manutenção de atletas e comissão técnica. Além disso, o contrato estipula investimentos de pelo menos R$ 120 milhões no centro de treinamento principal ao longo de dez anos e R$ 30 milhões na base em um período de dois anos, somando também a cobertura de um déficit de fluxo de caixa estimado em R$ 1,5 bilhão nos primeiros cinco anos.
Garantias contratuais e quitação de dívidas
A empresa compradora assumirá a responsabilidade de gerar receitas para quitar os débitos tanto da SAF quanto da associação, antecipando dois anos de pagamentos previstos no plano de recuperação judicial. Para assegurar o cumprimento das exigências, o acordo estabelece mecanismos robustos como uma fiança bancária ou seguro-garantia de R$ 324 milhões para o passivo, depósito judicial de R$ 27 milhões, fiança pessoal de Marcos Lamacchia, além de uma conta-reserva equivalente a três meses de obrigações. Estão previstas ainda multas específicas, como penalidade de 60% em hipóteses de descumprimento da recuperação judicial e multa de R$ 50 milhões por falhas na formalização definitiva.
Situação de São Januário e governança
O estádio São Januário continuará pertencendo ao clube social e funcionará como a casa exclusiva do time profissional até 31 de dezembro de 2030, mediante pagamento anual de R$ 3 milhões — valor que diminui para R$ 2 milhões caso intervenções impeçam o uso do local. Os sócios proprietários terão prioridade na primeira onda de emissão de ingressos. A transferência de ativos compreende contratos, direitos desportivos, patrocínios e propriedade intelectual, enquanto o clube associativo terá licença gratuita e vitalícia para utilizar a marca. O texto proíbe a venda de ações e a distribuição de dividendos pelo prazo de dez anos.
Próximos passos e validações
A concretização definitiva do negócio ainda depende da validação de condições contratuais, reestruturação societária, autorizações judiciais e o aval de órgãos fiscalizadores, a exemplo da Anresf e do Cade. A Anresf, ligada à CBF, e o Cade investigam um potencial conflito de interesses na transação, visto que o investidor é enteado de Leila Pereira, atual presidente do Palmeiras.



