sábado, 24 de outubro de 2026
São José do Rio Preto

Delegada aponta padrão em feminicídios cometidos por homem em São Paulo

Investigação revela histórico de violência e liberdade condicional após assassinato anterior cometido pelo suspeito.

“Escola do crime”, diz delegada sobre autor de feminicídio em Rio Preto

A Polícia Civil de São Paulo identificou fortes semelhanças entre o feminicídio de Elizângela Aparecida Matheus, de 51 anos, e o assassinato de uma ex-namorada do suspeito em 2016. A delegada Dálice Ceron, responsável pelo caso na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Rio Preto, destacou o perfil frio do autor durante as investigações.

Histórico de violência e liberdade condicional

O autor dos crimes é Hiago Moreira Schnornberger, de 32 anos. Ele havia sido condenado a 24 anos de prisão pelo homicídio de Fernanda Aparecida da Silva, de 18 anos, cometido em Pitangueiras (SP). Após ter a pena reduzida para 14 anos e cumprir sete anos e quatro meses em regime fechado, ele obteve liberdade condicional em janeiro deste ano.

O crime mais recente ocorreu na quarta-feira (21/10), no Parque da Cidadania, zona norte de Rio Preto. O suspeito se entregou à polícia no dia seguinte, após ser convencido pelo próprio pai. Elizângela foi morta com três facadas na residência onde moravam. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) tentou o socorro, mas a vítima não resistiu aos ferimentos.

Dinâmica e controle no relacionamento

Segundo a investigação, a dinâmica dos dois feminicídios apresenta pontos idênticos: o agressor ficava a sós com a vítima, iniciava uma discussão, utilizava uma faca e fugia do local, apresentando-se às autoridades apenas após o fim do período de flagrante. No casamento com Elizângela, o suspeito exercia forte controle e isolamento social.

A vítima não tinha acesso livre às redes sociais e precisava de supervisão. O descontentamento com a intenção de separação e uma discussão motivada por um atraso ao levar a neta ao médico precederam o ataque fatal. A delegada ressaltou que a vítima desconhecia o passado criminal do marido.

Contradições na versão do suspeito

A autoridade policial contestou a versão apresentada pelo investigado sobre legítima defesa, apontando incoerências nos depoimentos e nos laudos periciais que indicam golpes certeiros no coração e no pulmão da vítima. A filha de Elizângela, de 15 anos, presenciou a violência e prestará depoimento formal em juízo.

O inquérito policial deve ser finalizado no prazo de dez dias, acumulando acusações de feminicídio e motivo fútil. A polícia também reforçou que comentários culpabilizando a vítima nas redes sociais apenas ampliam a revitimização e não anulam a gravidade da conduta criminosa.

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