quarta-feira, 4 de novembro de 2026
Franca

Medicina veterinária paliativa: o que é e como funciona

Especialista explica como o tratamento focado no bem-estar garante dignidade a pets com doenças incuráveis ou crônicas.

Medicina veterinária paliativa não é desistir: é tratamento com qualidade de vida

A medicina veterinária paliativa atua diretamente na oferta de bem-estar, conforto e qualidade de vida para animais diagnosticados com patologias crônicas ou sem perspectiva de cura. Por meio do controle rigoroso da dor e de diferentes estratégias de suporte físico e emocional, essa vertente assegura que o acompanhamento continue mesmo diante de quadros delicados.

O mito da desistência no tratamento

Embora seja uma área fundamental para pets e famílias, ainda existe o equívoco de associar essa abordagem a uma interrupção dos cuidados. De acordo com a médica-veterinária e pesquisadora Brunna Gomes Re, a associação entre cuidados paliativos e a ideia de desistência ainda é comum. Isso acontece, em parte, porque os cuidados paliativos veterinários ainda são pouco conhecidos por muitos tutores e frequentemente associados apenas às fases finais da vida. Fatores como os custos, a proximidade da eutanásia e a rotina do tutor também pesam nas decisões.

“Os cuidados paliativos são indicados em situações de doenças crônicas ou sem perspectiva de cura, especialmente quando há dor ou outros desconfortos que comprometem a qualidade de vida”, explica Brunna.

Como avaliar a dor e o bem-estar do pet

Para mensurar o impacto da enfermidade no dia a dia do animal, os profissionais utilizam questionários específicos e escalas de dor. Uma das formas mais práticas de observar o quadro é analisar se o pet consegue executar ações fundamentais, a exemplo de comer, descansar, caminhar, eliminar fezes e urinar, além de demonstrar interesse em brincadeiras.

Pesquisa e protocolos individualizados

Esse método de acompanhamento foi o foco de um estudo conduzido por Brunna, que analisou 602 animais para entender as melhores formas de monitorar o sofrimento e o bem-estar em cães e gatos através da integração de ferramentas variadas.

De acordo com a médica-veterinária, cada paciente deve ser avaliado conforme suas condições, com a aplicação de protocolos e outras medidas necessárias, além do monitoramento dos resultados.

O sucesso do procedimento também depende do alinhamento entre a equipe clínica e a realidade familiar, considerando as limitações financeiras e de tempo de quem cuida do animal em casa. Além disso, o suporte psicológico aos tutores é indispensável para lidar com o desgaste emocional e reconhecer a importância do afeto dedicado ao longo do processo, garantindo dignidade ao pet em todas as fases.

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