Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificaram as críticas contra o mercado financeiro e o Banco Central às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O grupo cobra uma redução na taxa básica de juros, atualmente fixada em 13,75% ao ano, gerando um ambiente de forte pressão sobre a autoridade monetária.
Cobranças duras de parlamentares governistas
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou a alteração nas projeções de analistas para a Selic logo após o segundo turno. Em postagem na rede social X, o parlamentar afirmou que “estão fazendo política e sabotando a nossa economia” e que a taxa Selic não deve ser decidida pelo “humor do mercado financeiro”. Ele também cobrou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Na mesma linha, a deputada e ex-presidente do PT Gleisi Hoffmann (PR) utilizou suas redes sociais para disparar contra o setor financeiro. “Esse mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo. Não causa estranheza que estiveram torcendo e apoiando Flávio Bolsonaro para presidente”, diz a postagem na rede social X.
O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR) também participou da ofensiva contra os juros elevados. “Os juros têm que baixar, mas não pode ser na marra. As contas precisam ser equilibradas, mas não pode ser cortando de quem mais precisa. Os bilionários irão pagar a conta, SIM, porque foi esta a decisão das urnas”, disse em postagem nas redes sociais. “Não podemos aceitar que a política econômica seja refém dos interesses de quem ganha muito com juros elevados”, finalizou.
Debate econômico e propostas em foco
As manifestações dos parlamentares acompanham o discurso adotado pelo ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que apontou a existência de especulação no setor financeiro. Paralelamente, um artigo do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, voltou ao centro das discussões ao criticar a atual política monetária e sugerir a redução gradual da taxa básica de juros para 7,5% ao ano em cerca de 12 meses, além da criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN).
Esclarecimentos da equipe econômica
Diante dos rumores sobre possíveis medidas drásticas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descartou o tabelamento de juros e o uso de reservas cambiais. “Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação”, afirmou o ministro. Ele também negou a existência de reuniões agendadas entre o presidente e o economista André Lara Resende. “Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente, mas não há nada agendado. Não há agenda com o presidente Lula e o economista André Lara Resende”, disse Durigan.
A tensão política ocorre em um cenário de forte volatilidade nos mercados financeiros, com alta expressiva do dólar, queda acentuada na bolsa de valores e incertezas em torno da trajetória fiscal e dos futuros nomes da equipe econômica para o novo mandato.




