O falecimento de um animal de estimação costuma gerar um vazio emocional e prático avassalador para seus tutores. No entanto, o sofrimento gerado por essa ausência frequentemente sofre invalidação social por parte de quem não compreende a profundidade da ligação estabelecida entre pessoas e bichos.
O impacto do luto não reconhecido
Expressões comuns ditas com a intenção de consolar, a exemplo de “era só um cachorro”, “você pode ter outro” ou “não precisa sofrer tanto”, geram o efeito inverso. Elas fazem com que o tutor se sinta incompreendido e envergonhado por expressar sua tristeza.
Na psicologia, esse cenário é classificado como luto não reconhecido. O termo define contextos em que uma perda carece de validação social, impedindo que o indivíduo manifeste sua dor e obtenha o suporte necessário.
O que diz a ciência sobre a perda de animais
Investigações científicas recentes comprovam a força desse impacto. Um estudo publicado em janeiro de 2026 na revista científica PLOS One, conduzido por pesquisadores da Universidade de Maynooth, na Irlanda, analisou diferentes vivências de luto entre 975 adultos britânicos.
Do total de participantes que já haviam perdido tanto um bicho quanto um ente querido, 21% relataram que o óbito do animal representou a vivência mais dolorosa. O levantamento também detectou índices de luto prolongado de 7,5% entre os enlutados por pets, patamar equivalente ao de certas perdas humanas.
Fatores que intensificam o sofrimento
Os dados demonstram que a gravidade da dor não se restringe à espécie ou ao tipo de relação. A convivência diária, a trajetória em conjunto e a função exercida pelo bicho na rotina moldam a experiência do adeus.
Cães e gatos estruturam a dinâmica do lar, estando presentes no descanso, nas brincadeiras e na oferta de companhia. Com o falecimento, alteram-se hábitos como horários de passeios, recepções na porta e alimentação, gerando dificuldades extras para quem residia sozinho.
Como acolher e quando buscar apoio
A principal barreira para quem chora a partida de um bicho é a escassez de ouvidos atentos e livres de julgamentos. Comparar dores é ineficaz; o ideal é validar a importância do laço, escutar a pessoa e respeitar seu ritmo de despedida.
Apesar de natural, o sofrimento exige acompanhamento psicológico caso impeça o desempenho de tarefas rotineiras, afete o sono, o trabalho ou as relações. Validar esse sentimento não desvaloriza outras perdas, mas expande a empatia diante dos diversos vínculos afetivos.




