Apresentado oficialmente para comandar o Noroeste no Campeonato Paulista de 2027, o técnico Eduardo Souza surpreendeu ao revelar que recusou propostas de equipes com divisão nacional no calendário para fechar com o time de Bauru. Aos 45 anos, o treinador destacou que a estrutura da SAF, o peso da camisa e o sonho de dirigir uma equipe na elite estadual pesaram na decisão.
Carreira e convite da diretoria
O novo comandante chega ao Norusca após uma passagem pelo Atlético-GO durante a Série B. Ele também acumulou conquistas recentes, como a Série D em 2025 e o Campeonato Catarinense em 2026 pelo Barra-SC, além de passagens por Londrina, Hercílio Luz e Marcílio Dias, somando ainda experiência como auxiliar em grandes clubes como São Paulo e Bahia.
— Tive outras propostas para trabalhar em clubes com calendário anual e divisão nacional, mas, quando recebi o convite e conversei com o Harlei, já tinha ouvido falar sobre a SAF, e isso pesou. Conheço o Noroeste há muito tempo, é uma camisa muito pesada, de um clube que vem se reestruturando fora de campo.
Inspiração em projetos de sucesso
Natural de Votuporanga, no interior paulista, Eduardo mencionou a evolução de clubes como Mirassol e Novorizontino como referências de planejamento a longo prazo. Embora tenha vasta bagagem como auxiliar, esta será sua estreia como técnico principal na primeira divisão do estadual.
— Temos exemplos próximos, como Mirassol e Novorizontino. Quando passei pelo Tigre como auxiliar, o clube também não tinha calendário nacional e hoje bate à porta da Série A. Sou de Votuporanga, cresci acompanhando o Paulistão e sempre tive o objetivo de comandar uma equipe nessa competição. Já participei de várias edições como auxiliar, mas será minha primeira oportunidade como treinador.
Estilo de jogo e força em casa
Sobre a proposta tática, o profissional explicou que prefere focar no comportamento coletivo e na versatilidade do plantel, sem se apegar a um único sistema de jogo em campo.
— Sou um treinador que não se preocupa tanto com esquema de jogo, mas com comportamento e conceitos. Vamos trabalhar com linha de quatro, de cinco, porque cada jogo pede uma coisa. Gosto de uma equipe agressiva, independentemente de onde a bola esteja. Vocês verão um Noroeste aguerrido, competindo com os grandes que vamos enfrentar.
Aproveitamento no estádio Alfredão
O desempenho como mandante foi apontado como um dos pilares para alcançar a meta de terminar a primeira fase entre os oito melhores colocados da competição regional.
— O fator casa é primordial. Quando você faz o dever de casa, a chance de terminar entre os oito primeiros aumenta muito. Nos meus últimos trabalhos, tive aproveitamento de quase 80% como mandante e esperamos ser fortes no Alfredão.
Montagem do elenco e reforços
Para a disputa do torneio, que começa em janeiro e é o único compromisso oficial do clube no ano, a comissão técnica projeta a chegada de sete a oito novos atletas, dependendo da permanência da base atual.
— Se todos retornarem, precisamos de sete ou oito peças para fortalecer o grupo. Não sou de impor quem deve ser contratado, prefiro trabalhar em equipe, e não vamos trazer jogadores apenas para serem mais um. Mesmo quem não for titular precisa fazer com que os outros atinjam seu melhor nível.
Questionado sobre a possível repatriação do atacante Carlão, atualmente no Novorizontino e com passagem marcante pelo clube de Bauru, o treinador evitou fechar as portas, embora reconheça a complexidade de uma negociação financeira.
— Não podemos esquecer o Carlão, pela história e pelo desempenho que teve. Sabemos que está em um grande clube, vivendo um momento de decisão na Série B. É um jogador que interessa a qualquer clube de São Paulo. Precisamos avaliar se ele quer retornar, as propostas e a questão financeira, mas é desse nível de jogador que precisamos para fortalecer o elenco.



