sábado, 31 de outubro de 2026
Franca

Causa animal em Franca: desafios, resgates e serviços gratuitos

Parlamentar detalha os custos mensais e a exaustão emocional enfrentada por quem atua no resgate de pets abandonados no interior paulista.

Vereadora de Franca dá importância ao respeito animal e combate aos maus-tratos

A proteção de bichos abandonados exige investimento financeiro constante, tempo e enorme responsabilidade social. No município paulista de Franca, a rotina de quem atua no acolhimento de pets revela obstáculos complexos, que vão desde a escassez de espaço físico até despesas elevadas com alimentação e cuidados médicos veterinários.

Rotina exaustiva e custos elevados

O suporte diário envolve tarefas como limpeza, fornecimento de comida, tratamentos específicos e monitoramento contínuo. Conforme relato da vereadora Lindsay Cardoso (PP), mensurar o total exato de animais necessitados é uma tarefa inviável devido à frequência com que novos casos de abandono aparecem. “Eu não tenho um número definido, porque eu não gosto nem de contar, eu falo que eles estão brotando, sabe?”, relata a vereadora.

A parlamentar destaca ocorrências corriqueiras que exigem intervenção imediata, a exemplo do recebimento simultâneo de gatas com ninhadas numerosas ou fêmeas necessitando de procedimentos cirúrgicos complexos. Para manter essa estrutura, grande parte do custeio sai do bolso dos próprios cuidadores. “Então a gente tira do próprio salário, igual eu, eu uso o meu salário da Câmara. Lá eu pago aluguel, aí eu pago energia, aí eu pago o atendimento veterinário. É ração. Só de ração, dá mais de R$ 10 mil por mês”, afirma.

Falta de espaço e desgaste emocional

A superlotação atinge tanto lares de protetores independentes quanto abrigos estruturados. A gestão da entrada de novos bichos precisa ser rigorosa para evitar conflitos. “Se eu não tiver canil disponível, eu não posso enfiar eles com outros cães. Nem animal adulto e nem animal filhote”, explica, reforçando que o isolamento adequado garante a integridade física de todos os envolvidos.

Além do peso financeiro, o esgotamento psicológico afeta profundamente quem atua na área. A impossibilidade de salvar todos os casos gera frustração, tornando necessário impor limites para não comprometer os cuidados já prestados. “Porque tem hora que você tem que falar não”, diz Lindsay.

Conscientização e apoio comunitário

Para a vereadora, o combate aos maus-tratos passa obrigatoriamente pela mudança de mentalidade da sociedade e pelo respeito à vida. Frequentes vezes, as intervenções sociais precisam abranger também as famílias em situação de vulnerabilidade que dividem espaço com os bichos. “Então, não é só os animais que estão precisando de ajuda, as pessoas também estão precisando de ajuda naquele local. Então a gente faz um trabalho geral com todo mundo”, aponta.

Ela ainda critica aqueles que julgam o trabalho humanitário sem oferecer qualquer tipo de colaboração prática. “Pelo menos respeitar os animais, não cometer maus-tratos”, enfatiza, defendendo que a solidariedade e a busca por um propósito maior devem guiar a vida em sociedade. “A gente não está só para trabalhar, pagar boleto e morrer, a gente tem que ter uma missão. Então a gente tem que deixar: o que que a gente fez de importante?”, questiona.

Serviços públicos disponíveis em Franca

O suporte à causa no município tem se expandido por meio de políticas públicas voltadas ao controle populacional e à saúde preventiva. A população conta atualmente com uma rede de atendimento articulada entre o Poder Executivo, o Poder Legislativo e parcerias acadêmicas.

Entre as principais frentes de atendimento estão a castração gratuita de cães e gatos, realizada mediante agendamento presencial no Canil Municipal, localizado na Rua José Gianesella, 415, no bairro City Petrópolis. Os interessados devem apresentar documentos pessoais e comprovante de endereço.

Outro destaque é o atendimento veterinário gratuito via parceria do VetMóvel com a Unifran, voltado a animais comunitários, de rua ou vítimas de acidentes. Os resgates e solicitações podem ser coordenados diretamente com o Canil Municipal por telefone ou WhatsApp através do número (16) 3703-9389.

O município também dispõe de captura de animais de grande porte com operação ininterrupta de 24 horas para recolher equinos e bovinos soltos em vias públicas, além de serviços regulares de vacinação contra a raiva e canais diretos para denúncias de maus-tratos por meio da Guarda Civil pelos telefones 153 ou (16) 3724-1033.

O fortalecimento dessas iniciativas públicas, somado à dedicação diária de protetores independentes, demonstra que o bem-estar animal em Franca depende tanto de estrutura governamental sólida quanto de engajamento e respeito por parte de todos os cidadãos.

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