sábado, 31 de outubro de 2026
Brasil

Centrão negocia cargos na Esplanada para o quarto mandato de Lula

Presidente reeleito busca maioria no Congresso em meio a um parlamento fragmentado e oposição fortalecida.

PSD, MDB e União largam na frente por ministérios no Lula 4, mas PT mira outras siglas no Centrão

O PSD, o MDB e o União Brasil largaram na frente nas negociações para integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seu quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. As três legendas são as mais bem posicionadas entre os partidos do Centrão para conquistar ou manter ministérios na Esplanada. O petista, porém, já abriu conversas também com o Progressistas e o Republicanos para ampliar a sustentação política do próximo governo.

Estratégia de articulação e cenário no Congresso

As tratativas fazem parte da estratégia de Lula para construir maioria no Congresso Nacional após a vitória sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno das eleições. O presidente foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do adversário, mas terá de lidar com uma Câmara dos Deputados fragmentada e um Senado em que o PL ampliou sua representação. A expectativa é que PSD, MDB e União Brasil tenham espaço garantido na composição ministerial, envolvendo a manutenção de pastas ou a entrega de novos cargos.

A composição do Congresso eleito em outubro ajuda a explicar a ofensiva governista. O PL terá a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, enquanto a Federação Brasil da Esperança contará com 88 parlamentares. A Federação União Progressista terá 87 cadeiras, o PSD elegeu 43 deputados, o Republicanos terá 41 e o MDB, 36. No Senado, o PL terá 28 das 81 cadeiras, seguido por PT com nove, MDB com oito, União Brasil e PP com seis cada, e PSD e Republicanos com cinco representantes cada.

Diálogo ampliado com PP e Republicanos

Embora as três principais legendas estejam à frente, Lula também iniciou conversas com Progressistas e Republicanos para reduzir a dependência de acordos pontuais. O Republicanos ocupa posição estratégica por ser o partido do presidente da Câmara, Hugo Motta, que trabalha pela reeleição ao comando da Casa em fevereiro de 2027. Já o PP enfrenta divisões internas sobre o posicionamento político, com alas articulando apoio à candidatura de Rogério Marinho à presidência do Senado, apesar do apoio da federação à reeleição de Davi Alcolumbre.

Reuniões no Palácio da Alvorada

As articulações também passam pelos líderes do Legislativo. No dia seguinte à vitória eleitoral, Lula recebeu Hugo Motta e Davi Alcolumbre no Palácio da Alvorada para discutir a organização de seu quarto mandato. No caso de Alcolumbre, a aproximação ocorre após um período de desgaste provocado pela rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O presidente pretende apresentar novamente o nome em 2027, contando com o apoio do senador, que busca a reeleição ao comando da Casa com o apoio do PT.

Apesar do avanço das conversas com o Centrão, os acordos não garantem automaticamente o alinhamento integral de todos os parlamentares das legendas, especialmente diante do fortalecimento da oposição no Congresso eleito para 2027.

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