sábado, 31 de outubro de 2026
Brasil

Presidente do tribunal de contas de mato grosso sacou milhões em dinheiro vivo

Relatório da polícia federal aponta 150 saques em espécie realizados pelo chefe do órgão de controle ao longo de dez meses

Presidente do TCE de Mato Grosso sacou R$ 15 milhões na boca do caixa, diz PF

O conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida, presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), realizou o saque de R$ 15,6 milhões em espécie na boca do caixa durante um intervalo de dez meses, entre o dia 1.º de janeiro e 22 de outubro de 2025. Os dados constam em um relatório elaborado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Tomada de Conta, que apura suspeitas de que o dirigente comanda um esquema de conversão de verbas públicas em dinheiro vivo.

Detalhes das operações financeiras

De acordo com os investigadores, foram contabilizados 150 saques em dinheiro ao todo, sendo 64 retiradas diretamente no guichê do banco, totalizando R$ 15,47 milhões, além de outras 86 operações realizadas em terminais de autoatendimento. A análise bancária restrita a um período de 294 dias revelou uma movimentação atípica de R$ 75,85 milhões, o que levantou fortes suspeitas sobre o destino dos recursos públicos da instituição.

Modus operandi e imagens de câmeras

Os investigadores encontraram divergências expressivas entre os valores publicados e os montantes efetivamente creditados. Enquanto apenas R$ 288.501,05 foram oficialmente divulgados em relação a Sérgio Ricardo, houve um repasse real de R$ 15,44 milhões. O laudo n. 10306/2026 destacou imagens do circuito interno de uma agência do Sicoob localizada dentro do próprio TCE-MT, evidenciando retiradas frequentes com a participação de servidores, sobretudo de Roseli Loss, chefe de gabinete do presidente.

Posicionamento dos órgãos oficiais

A Corte de Contas do Estado informou que “seguirá atuando com responsabilidade e serenidade, em observância à legalidade e ao cumprimento de sua missão constitucional de controle externo”. O Ministério Público Federal pontuou que a organização criminosa e a lavagem de dinheiro possuem natureza permanente, defendendo a manutenção das prisões para garantir a ordem pública e a integridade das investigações em curso.

A defesa do conselheiro foi procurada para comentar o caso após a ordem de prisão expedida pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça, mas não houve retorno até o encerramento da reportagem, que permanece com o espaço aberto para manifestações.

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