Embora o Dia das Bruxas seja comemorado em 31 de outubro, para o Grêmio Catanduvense a imagem da bruxa vai muito além do calendário festivo. O símbolo do time reflete uma alcunha que acompanha Catanduva, no interior paulista, há várias décadas: a fama de enfeitiçar todos aqueles que visitam o município.
A origem do apelido místico de Catanduva
Muito antes da fundação da agremiação esportiva, a região já era conhecida como a Cidade do Feitiço desde o início da década de 1940. Diversos registros da época exaltavam o forte poder de atração que a localidade exercia sobre os visitantes. Entre esses documentos destaca-se um texto publicado em 1943 pelo professor Geraldo Corrêa, que havia se mudado para a capital do estado para lecionar e manifestava profunda saudade da terra natal.
Com o passar dos anos, o apelido natural da cidade migrou para o esporte. Nos anos seguintes, uma equipe local adotou a denominação oficial de Clube Atlético Cidade do Feitiço, ajudando a eternizar essa ligação entre o município e o misticismo.
A ascensão e o auge no futebol paulista
Foi nesse cenário cultural que a bruxa se consolidou como o emblema oficial do Grêmio Catanduvense. Criado em 8 de março de 1999, o time adotou a figura lendária com o intuito de enfeitiçar os adversários, sobretudo atuando no estádio Silvio Salles, popularmente chamado de Caldeirão da Bruxa.
O clube ganhou notoriedade estadual a partir de meados dos anos 2000. Em 2006, faturou o vice-campeonato da Bezinha, assegurando o acesso para a Série A3. No ano posterior, alcançou a Série A2. O momento mais glorioso aconteceu em 2011, quando garantiu a vaga na elite para disputar o Paulistão de 2012. Naquela temporada de destaque, duelou com gigantes do país, arrancou um empate por 1 a 1 com o Palmeiras e chegou a liderar o placar contra o Corinthians antes de sofrer a virada por 2 a 1, embora tenha acabado rebaixado.
A derrocada financeira e o hiato
As temporadas seguintes trouxeram dificuldades financeiras severas e sucessivos rebaixamentos, empurrando o time para a divisão de acesso mais baixa do estado. Em 2019, após disputar parte do torneio estadual, a diretoria abandonou a competição na terceira fase por falta de verbas, resultando em um longo período de inatividade no cenário profissional.
A reestruturação começou a ser planejada em 2022 por uma nova gestão com o propósito de equilibrar as contas. No entanto, o retorno oficial aos gramados ocorreu somente em 2026.
O pesadelo na retomada das atividades
A volta da Bruxa para as competições oficiais ficou muito aquém das expectativas da torcida. Disputando a quinta divisão paulista, o clube enfrentou graves obstáculos estruturais e encerrou a campanha sem somar nenhum ponto.
Foram dez derrotas em dez partidas disputadas, com apenas quatro gols marcados contra 66 sofridos, resultando em um saldo negativo de 62. O desfecho foi marcado por resultados dramáticos, incluindo uma derrota por 13 a 0 para a Matonense e um revés histórico de 17 a 0 frente ao Independente de Limeira, totalizando 30 gols sofridos nas últimas duas rodadas.
A crise institucional também se refletiu nas escalações, com a equipe entrando em campo com plantéis incompletos, chegando a atuar com apenas nove atletas. Dessa forma, o retorno em 2026 ficou marcado por números opostos aos da época áurea na elite estadual, impondo ao clube o enorme desafio de reconstruir sua história na Cidade do Feitiço.




