Aos 15 anos, a promessa do automobilismo nacional Vicky Farfus se prepara para mais um marco em sua trajetória nas pistas. Natural de Curitiba e residente em Mônaco, a jovem vai competir na etapa da Fórmula 4 Brasil em Interlagos, programada para o mesmo fim de semana do Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1.
Nova etapa no Autódromo José Carlos Pace
Filha do renomado piloto Augusto Farfus, campeão da Copa do Mundo de GT em 2018 e do International GT Challenge em 2020, a brasileira defenderá as cores da TMG Racing. Embora o pai esteja ocupado com outros compromissos competitivos, a jovem contará com a presença da mãe e de um sócio da família no autódromo paulista.
Habituada a acompanhar o circuito mundial pela televisão — chegando a assistir às provas da janela de casa em Monte Carlo —, a atleta não escondeu a empolgação com a oportunidade inédita de acelerar em solo brasileiro.
– Eu estou muito animada e superfeliz com essa oportunidade de poder correr no meu país, onde eu nasci. Minha identidade é lá, minha cultura é lá. É tudo lá. Eu sou muito orgulhosa e eu estou muito animada para correr lá. –
Rotina de estudos e convivência com herdeiros da F1
Enquanto acumula experiência em competições internacionais como a F4 da Europa Central e testes na F1 Academy, a adolescente equilibra o cronograma puxado de viagens com as obrigações escolares. Ela frequenta uma instituição de ensino voltada para atletas em Mônaco, onde estuda ao lado de nomes conhecidos do meio.
– Quando eu estou em Mônaco, vou para a escola todo dia e tento me focar mais nos estudos. E eu também sempre tenho um pouquinho da minha cabeça pensando no automobilismo, então todo dia eu faço alguma coisa para me preparar, para melhorar. Mesmo que seja 1%, tento melhorar todo dia como piloto fora das pistas. Daí quando eu chego nas pistas eu já estou um pouquinho mais preparada. Eu ando viajando muito, então acaba sendo difícil eu ir para a aula. A escola me ajuda muito, eles me mandam tudo online. Então eu consigo fazer tudo nas corridas – afirmou.
A piloto detalhou o funcionamento do programa educacional que frequenta e revelou detalhes sobre os colegas de classe.
– Eles têm um programa para atletas. Tem outros atletas de alto nível que estão na escola, então eles têm um programa feito para nós. (…) Tem o filho do Coulthard, se chama Dayton Coulthard. E tem também a Ella Hakkinen. Nas matérias que eu faço eu sou uma das melhores alunas da escola – explicou.
Olhos voltados para o futuro e barreiras no esporte
Com forte bagagem no kart — onde fez história ao terminar o Mundial da categoria OK-Junior na quarta posição —, Vicky traça metas ambiciosas para o futuro, visando uma vaga na Fórmula 1 e inspirando-se em figuras como Susie Wolff e Rafaela Ferreira. No entanto, ela aponta que a falta de preparo precoce e os altos custos financeiros ainda representam grandes obstáculos para mulheres no esporte a motor.
– Eu acho que a Fórmula 1 sempre só teve homens. Então a maioria das pessoas no mundo pensam que é uma categoria só para homens. Mas esse esporte é um dos poucos esportes no mundo que a força física não é predominante. Futebol, por exemplo, uma mulher contra um homem é quase impossível, porque um homem tem uma força física maior que uma mulher e acaba sendo melhor que uma mulher. –
– Mas no automobilismo você precisa ter a força física suficiente para durar a corrida, 70 voltas, mas não é o fator limitante. Talvez, vou ter que treinar três vezes mais que um homem para conseguir ter a mesma força física que ele. Mas eu consigo chegar lá. Então eu acho que falta isso. Falta mais preparação das meninas, mais dedicação, mais motivação. E elas estarem mais preparadas no alto nível. –
A busca por patrocínios também se faz essencial para viabilizar a carreira internacional, contando com o suporte de marcas parceiras para pavimentar seu caminho rumo ao topo do automobilismo mundial.
– É muito caro o automobilismo e as ajudas dos patrocinadores ajudam muito. A Solare, ArcelorMittal e a Ademicon ajudam muito a conseguir chegar no meu sonho e me ajudam a crescer. Eu acho que esse é o desafio maior que eu tenho. –




