O prolapso de valva mitral é uma alteração anatômica congênita que acompanha o indivíduo desde o nascimento e, com frequência, permanece assintomática e despercebida ao longo dos anos. Essa condição ocorre devido a um alinhamento diferenciado das proteínas que formam a valva, gerando uma leve deformidade estrutural. Embora muitos portadores jamais apresentem sinais, alguns pacientes relatam episódios de palpitações, descritos como uma aceleração passageira dos batimentos cardíacos. De forma isolada, a alteração não é considerada grave e dispensa intervenções cirúrgicas, sendo que o uso de medicamentos para regular a frequência cardíaca costuma ser suficiente para controlar as palpitações.
Quando o prolapso mitral se torna motivo de preocupação?
A situação médica muda de figura e passa a exigir maior atenção quando o quadro anatômico vem acompanhado de duas complicações específicas: a insuficiência da valva mitral e a endocardite bacteriana. No primeiro caso, o prolapso provoca refluxo ou vazamento sanguíneo, o que pode sobrecarregar o órgão e desencadear problemas como edema de pulmão, dor torácica, falta de ar e arritmias. Já a endocardite consiste em uma infecção bacteriana — com origem em focos na pele, nos dentes, nos pulmões ou no intestino — que atinge a estrutura valvular já comprometida pelo prolapso, provocando rupturas ou perfurações.
Necessidade de intervenção cirúrgica
Diante dessas duas complicações, a probabilidade de uma abordagem cirúrgica aumenta consideravelmente. A indicação do procedimento depende de fatores como a gravidade do vazamento sanguíneo, o estado clínico geral do paciente e a eficácia do tratamento com antibióticos no combate à infecção bacteriana. Embora o suporte medicamentoso seja sempre utilizado para otimizar o desempenho do órgão, disfunções severas causadas por refluxo ou pela ação destrutiva de bactérias tornam a cirurgia indispensável.
Tipos de cirurgia cardíaca
O procedimento cirúrgico pode ser executado por meio da plastia da valva mitral, técnica em que a estrutura original é mantida e reconstruída, ou pela substituição total por uma prótese. A definição da melhor conduta resulta de uma avaliação pré-operatória detalhada e pode sofrer ajustes durante o próprio ato cirúrgico. O procedimento geralmente demanda a parada temporária dos batimentos cardíacos, período em que a circulação do sangue é mantida por meio de tubos conectados a uma máquina específica. Essa dinâmica complexa, embora fundamental para o sucesso da operação, pode acabar desencadeando uma forte resposta inflamatória no organismo.
O alerta é do Prof. Dr. Edmo Atique Gabriel, cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago.



