O sistema de saúde brasileiro registrou cerca de 5,8 mil remoções cirúrgicas do órgão decorrentes de tumores malignos entre 2015 e 2025. O levantamento, divulgado pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), acende um alerta sobre a gravidade de uma patologia que, embora considerada incomum, apresenta índices alarmantes em território nacional devido à falta de prevenção.
Erros frequentes na rotina de higiene íntima
Especialistas apontam que a desinformação persiste como um dos principais vilões na rotina de cuidados diários da população masculina. O urologista Rodrigo Trivilato alerta para os equívocos cometidos durante o banho. “Muitos homens passam a vida higienizando o pênis de maneira errada. Tanto a falta de higiene quanto o excesso de produtos podem causar problemas também”, afirma o médico.
Para realizar o procedimento de forma correta, o ideal é expor a glande puxando delicadamente a pele do prepúcio — nos casos em que isso é possível —, lavando apenas com água e sabonete suave, enxaguando bem e secando com total cautela. “A higiene regular, especialmente sob o prepúcio, ajuda a evitar o excesso de esmegma, o mau odor e as irritações. Para isso, basta utilizar água e sabonete suave, sem necessidade de outros produtos”, detalha o especialista.
Riscos associados à limpeza inadequada
Negligenciar a limpeza da região pode desencadear quadros inflamatórios e infecciosos severos, a exemplo da balanite e da balanopostite. A dificuldade crônica de higienização, somada a quadros de fimose, eleva de maneira expressiva a probabilidade de desenvolvimento de tumores malignos. Além disso, o tabagismo e a contaminação pelo vírus HPV figuram como fatores agravantes para o surgimento da enfermidade.
Cuidados específicos para quem tem fimose
Homens que possuem fimose jamais devem tentar forçar a retração do prepúcio. O urologista adverte que essa prática gera fissuras, sangramentos e cicatrizes. Enquanto em crianças a condição costuma ser fisiológica e regredir sozinha, adolescentes e adultos que sofrem com inflamações ou dores precisam de avaliação médica, podendo ser indicadas pomadas ou a cirurgia de postectomia.
O uso de cosméticos inadequados também prejudica a saúde local, já que produtos bactericidas ou muito perfumados irritam a sensível pele da região. A recomendação médica reforça que a adoção de hábitos simples no cotidiano representa a principal barreira de proteção. “A higiene íntima masculina não é apenas uma questão de limpeza ou estética, mas também de saúde, prevenção e qualidade de vida. É importante cuidar do pênis com a mesma atenção dedicada às demais partes do corpo”, conclui o urologista.




