sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Brasil

Procurador-geral da República quer veto a dados de visitas no Senado

Parecer enviado ao STF aponta falta de competência da Corte para julgar ação movida por vereador de Curitiba sobre registros de acesso.

Gonet defende barrar acesso a registros de visitas de Vorcaro e mulher de Moraes ao Senado

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se contrariado nesta quinta-feira (22) em relação a uma ação judicial que tenta forçar a liberação de dados de acesso ao Senado Federal. O pedido envolve nomes de destaque, como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Alvos da ação no Senado

Além de Vorcaro e da mulher do ministro, a demanda protocolada no Supremo Tribunal Federal também abrange Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva), José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico (irmão do presidente), além de outras quatro pessoas.

Origem do mandado de segurança

A manifestação de Gonet foi encaminhada ao ministro Luiz Fux, relator do mandado de segurança ajuizado pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter. O parlamentar municipal exigia os registros de entrada e saída correspondentes ao intervalo entre fevereiro de 2019 e fevereiro de 2026.

Argumentos de defesa da Casa legislativa

O Senado Federal havia anteriormente recusado a entrega dos dados com base na Lei de Acesso à Informação, justificando que o conteúdo diz respeito a dados pessoais amparados por leis de proteção. A Casa argumentou que a publicidade poderia expor contatos e interlocutores de congressistas, facilitando o mapeamento de agendas e ferindo prerrogativas parlamentares. Adicionalmente, a instituição sustentou que os controles servem à segurança institucional e que instâncias investigativas dispõem de caminhos próprios para requisitá-los.

Fundamentos do parecer de Paulo Gonet

No documento enviado ao STF, o chefe do Ministério Público Federal argumentou que o Supremo carece de atribuição legal para examinar o caso, uma vez que a recusa administrativa emanou de setores internos do Senado, e não da presidência do órgão. O procurador também pontuou que o vereador autor da ação falhou em comprovar lesão a direito individual que fundamentasse o mandado de segurança, reforçando que essa ferramenta jurídica não serve para tutela genérica de interesses coletivos, cabendo agora a decisão final ao ministro Luiz Fux.

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