quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Economia

Ações de exportadoras disparam na bolsa após alta do dólar pós-eleição

Grandes bancos mudam estratégias e recomendam papéis dolarizados para proteger carteiras da alta de juros e desvalorização do real.

Dólar forte após eleição coloca exportadoras no radar: quais são as ações preferidas?

A disparada da moeda americana e a abertura expressiva na curva de juros após o segundo turno das eleições presidenciais forçaram uma reformulação profunda nas estratégias de grandes instituições financeiras. Com um cenário de real enfraquecido, atividade econômica desacelerada e taxas elevadas por um período prolongado, as companhias com faturamento atrelado a moedas fortes ganharam o centro das atenções no mercado acionário brasileiro.

Relatórios apontam proteção em receitas dolarizadas

Instituições como Bradesco BBI, Citi, JPMorgan, Morgan Stanley, BTG Pactual e XP Investimentos apontam que as corporações com forte presença internacional oferecem uma mistura mais sólida de segurança e expansão financeira. O tombo recente da bolsa reflete a precificação de um panorama macroeconômico desafiador, que inclui depreciação cambial e maior prêmio de risco para os ativos locais.

Nesse contexto, papéis de companhias como Suzano (SUZB3), Gerdau (GGBR4), Aura Minerals (AURA33) e Vale (VALE3) ganham destaque pela capacidade de resistir às adversidades internas. Por outro lado, organizações voltadas ao mercado interno e altamente alavancadas, a exemplo de CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e Irani (RANI3), enfrentam perspectivas menos favoráveis diante do aperto monetário.

Embraer e WEG lideram preferências

Entre todas as opções analisadas, a fabricante de aeronaves continua figurando entre as principais recomendações do setor de transportes. O Bradesco BBI destaca a combinação de ganhos em dólar, carteira robusta de pedidos e expansão consistente. A expectativa é de crescimento anual composto de aproximadamente 20% no lucro operacional entre 2026 e 2028, impulsionado por encomendas equivalentes a anos de produção na aviação executiva e comercial.

No caso da WEG (WEGE3), a correção recente nos preços dos papéis tornou a tese ainda mais atraente. Os especialistas classificam a empresa como um “hedge cambial natural”, ressaltando a baixa dependência do ciclo econômico brasileiro e a exposição contínua a tendências globais de eletrificação, automação industrial e infraestrutura energética.

Papel, celulose e siderurgia no radar

No setor de celulose, a Suzano segue como favorita dos analistas. Cálculos do mercado indicam que oscilações na taxa de câmbio geram impactos expressivos no fluxo de caixa e no EBITDA da companhia. Outros nomes industriais, como Tupy (TUPY3) e Marcopolo (POMO4), também aparecem nas análises devido à relevância de suas receitas externas, especialmente ligadas ao mercado norte-americano de veículos pesados.

Estratégias de grandes bancos

O Morgan Stanley promoveu uma rotação em sua carteira para priorizar empresas dolarizadas e reduzir a participação em negócios sensíveis aos juros baixos, adotando uma postura defensiva. O movimento é compartilhado pelo JPMorgan e pelo BTG Pactual. Em relatório recente sobre os setores de mineração, siderurgia e papel e celulose, o BTG afirmou que “a necessidade de hedge está de volta”.

O banco destacou ainda que a Gerdau destina cerca de três quartos de seu EBITDA ao mercado norte-americano, funcionando como barreira contra a volatilidade interna. Apesar das incertezas sobre o minério de ferro, a Vale permanece bem avaliada, enquanto corporações dependentes do crédito e do consumo interno aguardam sinais claros de retomada para atrair novos fluxos de capital.

Escrito por

Deixe seu comentário