A Polícia Federal deflagrou nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (29) a nona etapa da Operação Unha e Carne. O objetivo da ação é desarticular uma organização criminosa investigada por crimes de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e pelo uso de testas de ferro e empresas de fachada para esconder a verdadeira propriedade de bens e valores vultosos.
Alvos e ordens judiciais do Supremo
Entre os principais alvos desta nova investida está o pastor Márcio Poncio, empresário do setor de tabaco e fundador da Igreja da Nuvem. O religioso já havia sido alvo de etapas anteriores da mesma investigação, período em que chegou a receber ordem de prisão, posteriormente convertida em regime domiciliar. Os mandados cumpridos nesta etapa foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal.
Mandados na Zona Sudoeste carioca
Os agentes federais saíram às ruas para cumprir quatro mandados de busca e apreensão em endereços situados na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. Além do empresário, as autoridades também investigam Bernardo Coutinho Loyola, sobrinho de Adilson Oliveira Coutinho Filho, que figurou como alvo em fases passadas ao lado do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar.
Esquema sofisticado de ocultação de bens
De acordo com o inquérito policial, o esquema criminoso operava por meio de transações em dinheiro vivo, operações financeiras sem rastreabilidade e o emprego de companhias nacionais e internacionais. Há suspeitas de que o grupo tenha utilizado até mesmo holdings patrimoniais e entidades religiosas para camuflar a titularidade de imóveis e fortunas.
As autoridades recolheram indícios de que a rede criminosa mantinha um vasto complexo de bens de luxo, incluindo aeronaves executivas, veículos importados e propriedades imobiliárias de alto padrão. Esses ativos eram registrados em nome de parentes, empregados e terceiros sem ligação aparente com os líderes, mas que seguiam sob o controle direto dos investigados. O avanço desta fase decorre da análise de dados extraídos de um aparelho telefônico apreendido durante a quinta etapa da Operação Unha e Carne, que revelou novos locais de interesse e estruturas financeiras usadas pelo grupo. A defesa do pastor não foi localizada para comentar o caso.




