Identificar um pequeno caroço durante a escovação ou o banho pode parecer inofensivo, especialmente quando o animal continua ativo, comendo bem e sem demonstrar dor. No entanto, campanhas de conscientização alertam para mitos frequentes que levam tutores de cães e gatos a adiarem a busca por orientação especializada diante de alterações na região mamária.
Mitos sobre tamanho e dor
De acordo com Kauê Ribeiro, Médico-Veterinário da Vetnil, o surgimento de nódulos, inchaço, secreções, feridas ou alterações na pele próxima às mamas podem ter diferentes causas e não significam, necessariamente, câncer. Porém, o diagnóstico depende da avaliação do Médico-Veterinário e, conforme o caso, de exames complementares e da análise do tecido.
“O objetivo da observação em casa não é fazer com que o responsável tente identificar se um nódulo é benigno ou maligno, mas perceber o que surgiu ou mudou e procurar orientação. Quanto antes uma alteração é avaliada, mais cedo o Médico-Veterinário pode definir qual é a conduta adequada para aquele animal”, explica Kauê Ribeiro.
Um dos pensamentos equivocados mais comuns é acreditar que o tamanho reduzido da lesão afasta o perigo. Alterações mamárias variam de pontos quase imperceptíveis a massas maiores, sendo que o volume não determina sozinho a natureza do problema. Caso o tutor encontre algo incomum, é fundamental não apertar, massagear ou aplicar produtos e medicamentos sem prescrição profissional.
A falsa sensação de segurança
Outro engano perigoso é associar a ausência de sofrimento à benignidade da alteração. Animais frequentemente mantêm o apetite e a energia mesmo nas fases iniciais de doenças graves, tornando o problema silencioso.
“Na verdade, não é recomendável esperar que o animal manifeste sinais clínicos, como dor. Cães e gatos nem sempre apresentam sinais evidentes nas fases iniciais, e algumas alterações mamárias podem ser silenciosas. Se existe um nódulo ou outra mudança persistente, a ausência de desconforto não elimina a necessidade de avaliação. A identificação e a avaliação precoce das alterações podem contribuir para um diagnóstico mais rápido e para a definição do tratamento mais adequado”, afirma Ribeiro.
Outros equívocos frequentes
A crença de que todo nódulo é maligno também assusta tutores, embora apenas exames histopatológicos possam confirmar o diagnóstico, sendo que gatinhas apresentam alta taxa de malignidade nessas ocorrências. Da mesma forma, pensar que animais castrados estão totalmente protegidos é um erro, pois o procedimento reduz os riscos, mas não os elimina por completo.
Esperar para ver se o tumor cresce é a atitude mais arriscada, já que a estabilidade aparente do pet não reflete o real estágio da enfermidade. O acompanhamento veterinário periódico continua sendo a melhor ferramenta de prevenção.
“A mensagem do Outubro Rosa Pet é sobre a importância de incluir na rotina momentos de observação, manter o acompanhamento veterinário periódico e buscar orientação profissional de forma constante, mas especialmente quando forem percebidas alterações. Esses cuidados são fundamentais para a manutenção da saúde e do bem-estar do pet”, conclui Ribeiro.



