O universo dos quadrinhos ganha contornos sombrios em “Cara-de-Barro”, filme que estreia nesta quinta-feira (29) no Novo Cine Votuporanga. A produção da DC Studios apresenta uma nova perspectiva sobre um dos antagonistas clássicos das histórias do Batman, ao combinar drama, suspense e terror em uma trama que explora os limites entre a identidade humana, a aparência física e a transformação do corpo.
A trajetória de Matt Hagen e o tratamento experimental
Dirigido por James Watkins, o longa-metragem acompanha Matt Hagen, interpretado por Tom Rhys Harries, um ator em ascensão cuja carreira sofre uma reviravolta violenta após um confronto com um poderoso criminoso de Gotham City. Com o rosto desfigurado e sem perspectivas de retomar a vida profissional, ele procura um tratamento experimental e clandestino que promete recuperar sua aparência.
Embora o procedimento químico inicialmente pareça bem-sucedido, os efeitos colaterais logo revelam consequências devastadoras. A substância utilizada provoca alterações na estrutura celular de Hagen, compromete sua sanidade e o transforma em uma criatura capaz de modificar a própria forma, dando origem ao temido Cara-de-Barro. A busca pela restauração de suas feições faciais e da carreira cede espaço à revolta e ao desejo de vingança, enquanto a transformação física se torna parte central do conflito psicológico.
Entre o body horror e os quadrinhos clássicos
Conhecido originalmente como Clayface, o personagem integra a galeria de vilões do Batman e tem como característica marcante a capacidade de alterar a própria aparência. No filme, essa habilidade ganha uma abordagem voltada ao “body horror”, ou horror corporal, subgênero que explora as transformações, deformações e ameaças ao corpo humano para provocar desconforto e tensão no espectador.
A transfiguração de Hagen funciona como eixo da história, aproximando o fantástico de questões relacionadas à imagem, à identidade e à perda do controle sobre o próprio corpo. A proposta é análoga à história de “Coringa” (2019), de Todd Phillips, ao deslocar o olhar dos super-heróis para a trajetória de seus antagonistas, explorando as fraturas psicológicas e as circunstâncias que conduzem à transição dos protagonistas.
Paralelos de produção e orçamento
Assim como Arthur Fleck, Matt Hagen é um artista cuja ambição profissional esbarra em experiências traumáticas que alteram o curso de sua existência. O paralelo passa ainda pelo modelo de produção: com orçamento estimado entre US$ 30 milhões e US$ 44 milhões, o filme aposta em uma narrativa de terror mais contida, distante da escala dos grandes espetáculos de super-heróis.
A produção fica em cartaz no Novo Cine Votuporanga de 29 de outubro até 4 de novembro, com exibição diária marcada para as 21h25. O elenco principal conta com nomes como Tom Rhys Harries, Naomi Ackie e Eddie Marsan, sob a direção de James Watkins e roteiro assinado por Mike Flanagan e Hossein Amini.



