Os papéis da Movida registraram uma forte queda de 18,15%, sendo negociados a R$ 6,44, em meio a um cenário macroeconômico desafiador. Embora a companhia tenha apresentado um terceiro trimestre considerado sólido por especialistas, a perspectiva de taxas de juros elevadas por mais tempo no Brasil acabou ofuscando o balanço financeiro e derrubando a confiança dos investidores na bolsa.
Lucro acima do esperado e desempenho operacional
De acordo com avaliações do mercado financeiro, a locadora de veículos reportou números positivos e entregou um lucro líquido de R$ 152 milhões. Esse montante ficou acima do teto do guidance divulgado anteriormente pela empresa, que variava entre R$ 130 milhões e R$ 150 milhões, conforme já havia sido antecipado pelas prévias operacionais.
Especialistas apontam que o resultado favorável foi impulsionado por uma menor alíquota efetiva de impostos e pela força operacional da companhia. No entanto, o avanço nas despesas de depreciação — reflexo direto de uma frota ampliada — e o aumento nas amortizações de direito de uso impactaram a dinâmica financeira do período.
Análise dos segmentos de atuação
A receita líquida totalizou R$ 3,87 bilhões, valor que ficou abaixo das estimativas traçadas por instituições financeiras. Esse recuo decorreu principalmente de um desempenho inferior ao projetado na divisão de Seminovos. Em contrapartida, as unidades de negócio voltadas para aluguel de carros e para a gestão e terceirização de frotas superaram as expectativas iniciais.
Durante o trimestre, a frota da empresa cresceu com a adição de 8 mil novos veículos. A taxa de alavancagem financeira fechou o período em 2,6 vezes a relação entre a dívida líquida e o Ebitda, demonstrando um recuo sutil na comparação com o trimestre anterior. O Ebitda ajustado alcançou R$ 1,86 bilhão, ficando ligeiramente acima da projeção do mercado.
Recomendações dos bancos e cenário adverso
Diante do cenário, diferentes instituições financeiras adotaram posturas variadas. O JPMorgan optou por manter recomendação neutra para o ativo, estipulando um preço-alvo de R$ 18. Já o Bradesco BBI e o BTG Pactual mantiveram a recomendação de compra para as ações, reforçando que a tese estrutural da empresa permanece sólida apesar da recente volatilidade nos preços dos papéis.
A forte retração nos papéis da companhia ocorreu em um dia marcado por perdas generalizadas em diversos setores da bolsa brasileira. O pessimismo generalizado com a curva de juros futuros também penalizou os ativos de outras grandes empresas listadas, refletindo a cautela do mercado com o cenário macroeconômico de longo prazo.




