quarta-feira, 28 de outubro de 2026
Economia

Movida lucra R$ 152 milhões no terceiro trimestre e dispara 117%

Receita líquida da locadora de veículos avançou para R$ 3,8 bilhões impulsionada por novos clientes e verticalização de oficinas.

Movida (MOVI3) tem lucro líquido de R$ 152 mi no 3º trimestre, alta de 117% ao ano

A Movida registrou um lucro líquido de R$ 152 milhões no terceiro trimestre de 2026, montante que representa um crescimento expressivo de 117% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O balanço financeiro divulgado pela empresa confirma exatamente os números que já haviam sido antecipados na prévia de resultados publicada no início do mês.

Crescimento na receita e expansão operacional

Durante o trimestre, a receita líquida da companhia atingiu R$ 3,870 bilhões, uma alta de 2,8% na mesma base de comparação. O desempenho foi impulsionado pelo avanço no volume de vendas diárias, que saltou de 6,085 para 7,439 milhares, configurando um aumento de 22%. Além disso, a tarifa RAC (Rent-A-Car) subiu de R$ 159 para R$ 167, alta de 5%, enquanto a base de atendimento incorporou 767 mil novos clientes nos últimos 12 meses.

De acordo com o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, o crescimento do período foi impulsionado pela precificação dos serviços, pelo ganho de fatia de mercado e pelo rigor no controle de despesas. Como principal novidade na gestão de custos, a empresa iniciou a verticalização de sua rede de manutenção.

“Sempre fizemos toda a manutenção por meio de oficinas terceirizadas e começamos a verticalizar a manutenção no começo deste ano. Abrimos centros para preparar os seminovos antes da venda e “pit stops” para manutenção em shopping centers e supermercados para o RAC”, afirma Moscatelli, que projeta que esses “pits stops” saltem de 11, atualmente, para mais de 50 no ano seguinte.

Desempenho financeiro e mercado de seminovos

O Ebitda consolidado da locadora fechou em R$ 1,795 bilhão, superando em 21,4% o resultado obtido no terceiro trimestre do ano passado. No segmento de locação, a margem Ebitda subiu para 74,2%, ante 72,6% na mesma etapa anterior. Já no setor de seminovos, a companhia comercializou 20.051 veículos — volume 18,1% inferior ao de 2025 —, gerando uma receita líquida de R$ 1,471 bilhão, queda de 16,2% no comparativo anual.

Moscatelli explica que a estratégia combinou o ritmo de vendas de seminovos com a sazonalidade da locação para maximizar o valor antes da comercialização. Outro ponto destacado foi a redução planejada do tíquete médio da frota para a faixa de R$ 80 mil ao longo dos últimos três anos, medida que protegeu a empresa do impacto causado pela chegada de veículos chineses mais baratos, focados originalmente em categorias mais caras.

“Com essa mudança de ‘mix’ que fizemos, 90% dos nossos carros são abaixo de R$ 90 mil. Esse carro que temos na nossa frota ainda não compete com carro chinês disponível”, afirma.

Perfil da dívida e fluxo de caixa

O resultado financeiro somou R$ 900 milhões entre julho e setembro, alta de 13,3% frente ao mesmo intervalo de 2025. A dívida líquida encerrou o período em R$ 17,5 bilhões, comparada aos R$ 15,5 bilhões do terceiro trimestre do ano anterior. O prazo médio dos débitos foi estendido de 3,2 para 4,2 anos, enquanto o custo médio passou de CDI + 1,9% para CDI + 1,8% ao ano, reduzindo o múltiplo da dívida sobre o Ebitda para 2,56 vezes.

O executivo ressaltou a melhora na distribuição dos vencimentos ao longo dos próximos anos, o que afasta riscos de pressão imediata sobre o caixa. Para ele, a expansão da geração de caixa superou o ritmo de avanço da alavancagem.

“Todo trimestre apresentamos uma redução. Obviamente, quando você olha a despesa financeira, com juros elevados e a companhia com a intensidade de capital que tem para fazer seu negócio, a despesa financeira cresce um pouco”, diz. “Todas as companhias que são intensivas em capital e utilizam mercado de capitais para se financiar sofrem um pouco nesses dias”, acrescentou.

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