A briga judicial nos tribunais envolvendo a Corte Arbitral do Esporte (CAS) e a participação do zagueiro Marcos Rojo ganhou novos desdobramentos nos bastidores do futebol sul-americano. O documento oficial que permitiu a escalação do defensor pelo Estudiantes detalha os critérios avaliados pela presidente adjunta Antonio de Quesada para conceder a medida cautelar que gerou protestos e esperança de reversão de resultado por parte do clube brasileiro.
Os argumentos do tribunal e a decisão sobre a cautelar
Na última página da decisão enviada pelo tribunal internacional, o magistrado destacou que “O interesse do jogador em preservar uma oportunidade esportiva de especial relevância que talvez não volte a ter prevalece, a efeitos cautelares, sobre os interesses apresentados para impedir sua participação. A aparência de bom direito da apelação tem relevância nesta ponderação e a inclina em favor do jogador. Diante do teor das normas da própria Conmebol e das dúvidas que ela manifestou sobre sua aplicação, a presidente adjunta não aprecia que permitir cautelarmente a participação do jogador no encontro comprometa a integridade da competição. A eventual incidência da participação do jogador na partida não basta por si só para inclinar o equilíbrio de interesses em desfavor da concessão da medida cautelar.”
A rejeição de pedido específico e a avaliação de riscos
Apesar de liberar o atleta para o confronto decisivo no Rio de Janeiro, o tribunal optou por estimar a solicitação apenas de forma parcial. A medida rejeitou o pedido para “Determine que a participação do jogador, em conformidade com esta ordem, não poderá ser invocada pela Conmebol como fundamento para sanção esportiva ou disciplinar contra o clube ou o jogador”.
O texto da decisão esclarece que “Esta pretensão se refere a uma eventual atuação sancionadora que não ocorreu e que poderia não vir a ocorrer. Não procede, no âmbito desta solicitação cautelar, antecipar um pronunciamento sobre uma situação meramente hipotética. Sua rejeição não implica reconhecer o cabimento de uma eventual sanção, nem prejulgar as questões que poderiam surgir caso ela venha a ser imposta. No entanto, corresponde ao Estudiantes e ao jogador realizar uma avaliação de riscos em caso do laudo final do CAS não confirme a elegibilidade do jogador”.
A posição do clube carioca e os precedentes na Conmebol
Antes mesmo da partida de volta da semifinal no Maracanã, a diretoria rubro-negra enviou uma manifestação formal ao tribunal e ao clube argentino alertando sobre a situação. No documento datado de 21 de agosto, a instituição brasileira ressaltou que “Subsidiariamente, registre-se expressamente que a eventual participação do Sr. Rojo ocorrerá por conta e risco exclusivos do Estudiantes e sem prejuízo dos direitos do Flamengo, incluindo o de apresentar reclamação por escalação irregular, nos termos do artigo 24.1.b do Código Disciplinar da CONMEBOL, bem como o de obter as consequências esportivas cabíveis, conforme a decisão final”.
Expectativa para a decisão final
Eliminado nas penalidades após um empate sem gols no Maracanã, o time brasileiro aposta em precedentes históricos da entidade máxima do futebol sul-americano, citando casos punitivos aplicados a outros times do país em edições anteriores. Enquanto a diretoria aguarda o julgamento definitivo do CAS, a comissão técnica mantém o foco na possibilidade de alcançar a decisão da competição continental.
Questionado sobre o andamento do processo nos bastidores após uma vitória pelo campeonato nacional, o técnico Jardim adotou cautela, mas admitiu a expectativa: — Eu acredito que é possível, mas essa situação está no departamento jurídico e eu não vou me alongar —. A decisão final do tribunal esportivo sobre a elegibilidade do atleta ainda não possui data definida para ser divulgada, enquanto a final do torneio está marcada para o dia 28 de novembro, em Montevidéu, no Uruguai.



