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Tecnologia

CD Projekt Red revela o segredo por trás da longevidade de seus jogos

Estúdio detalha os desafios técnicos e a filosofia de suporte a longo prazo para sucessos como The Witcher 3 e Cyberpunk 2077.

CDPR fala sobre updates grátis e longevidade de Witcher 3 e Cyberpunk 2077: ‘Nosso modus operandi’

A CD Projekt Red adota uma filosofia de suporte contínuo que mantém grandes produções ativas muito tempo após o lançamento original. Enquanto The Witcher 3: Wild Hunt recebe versões atualizadas e se prepara para novos conteúdos, Cyberpunk 2077 superou um início conturbado para continuar expandindo seu universo com novos recursos inspirados em animações e outras mídias.

O método de trabalho do estúdio

Para a equipe de desenvolvimento, revisitar projetos antigos faz parte da essência operacional da empresa, garantindo que os títulos estejam sempre preparados para receber novidades no futuro. Segundo Karolina Nieweglowska, diretora de Experiência e Segurança dos Jogadores da CD Projekt Red, voltar aos projetos antigos faz parte da própria maneira de trabalhar do estúdio. “De certa forma, é o nosso modus operandi”, explicou a executiva em entrevista ao VOXL, destacando a importância de preparar os jogos para receber novidades no futuro.

A estratégia, no entanto, exige lidar com variáveis técnicas complexas. A executiva reforça que cada alteração exige cuidado redobrado, já que os sistemas internos estão profundamente conectados. “Você precisa prestar atenção a todas as variáveis que está introduzindo e considerá-las adequadamente, porque todas interagem”, afirmou Karolina, detalhando que as correções passam por rigorosos testes e processos de certificação antes de chegarem ao público.

Desafios técnicos na modernização de clássicos

Do ponto de vista da engenharia, adaptar títulos criados para hardwares antigos para as tecnologias atuais representa um obstáculo considerável. Tim Green, engenheiro especialista em renderização, aponta que a lógica de processamento mudou drasticamente desde a criação de The Witcher 3, exigindo a transição de arquiteturas focadas em poucos núcleos para o processamento paralelo.

“É um desafio adaptar isso para que, em vez de depender de poucos núcleos mais rápidos, o jogo consiga distribuir o trabalho entre vários núcleos”, comentou Green sobre a implementação de recursos avançados como o ray tracing. Além disso, o estúdio precisou preservar a identidade artística construída para diferentes regiões do mapa, garantindo que as novas tecnologias respeitassem os parâmetros visuais originais. “Esses parâmetros artísticos estão ali para construir a aparência do jogo, então você não pode simplesmente ignorá-los”, completou o engenheiro.

A importância da consistência visual entre plataformas

Com o lançamento em múltiplos aparelhos, de computadores a consoles de diferentes gerações e portáteis, a equipe precisa encontrar um equilíbrio delicado de desempenho. Surpresas técnicas também surgem durante o processo, como ocorreu com o desenvolvimento para o Nintendo Switch 2. “Se você parte de certas suposições sobre como as placas de vídeo ou os computadores funcionam, elas nem sempre continuam válidas quando você muda de plataforma”, explicou Green.

A visão artística e o futuro das franquias

Mais do que longevidade técnica, a empresa enxerga os videogames como obras culturais capazes de gerar conexões duradouras com o público, comparando-os à leitura de clássicos da literatura. Para Nieweglowska, o objetivo é criar narrativas que permaneçam relevantes independentemente da passagem do tempo.

“Há pessoas que procuram um livro como procurariam um bom livro”, destacou a executiva ao explicar a relação dos jogadores com os mundos de fantasia e ficção científica criados pelo estúdio. “Mesmo sendo um jogo de fantasia ou cyberpunk, queremos que esses títulos permaneçam, de certa forma, com os pés na realidade. Ou seja, que sejam algo com que os seres humanos consigam se identificar”, concluiu.

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