sábado, 24 de outubro de 2026
Economia

Startup de defesa capta aporte milionário para desenvolver cães geneticamente modificados

Empresa fundada por criadores da Colossal e da Anduril pretende colocar animais em operações militares de alto risco até 2027

Startups: Com aporte de US$ 200M, Warhound quer pôr cães “tunados” na guerra

A Warhound, nova empresa focada em inovação para o setor de defesa, revelou sua existência nesta quinta-feira (22) após garantir uma rodada de investimentos no valor de US$ 200 milhões. O aporte, que eleva o valor de mercado da companhia para US$ 1,2 bilhão, veio de fundos de destaque como Sequoia, 8VC, Corner Ventures e In-Q-Tel, braço de investimentos ligado a agências de inteligência dos Estados Unidos, incluindo a CIA.

Conexão entre biotecnologia e defesa militar

Por trás do empreendimento estão Ben Lamm, CEO da Colossal Biosciences, e Palmer Luckey, fundador da fabricante de tecnologia militar Anduril. A parceria nasceu após um encontro em uma conferência no ano passado, quando Luckey apontou a necessidade de melhorar as condições para os animais de trabalho do exército. Ao investigar o setor, Lamm constatou que grande parte dos cães é reprovada nos treinamentos devido a problemas hereditários como propensão a câncer, displasia de quadril, visão deficiente e atrofia muscular.

A estratégia da startup é aplicar recursos de edição genética para desenvolver cães com “características adequadas a missões exigentes”, conforme comunicado oficial da empresa. Segundo Ben, o plano envolve aprimorar aspectos como saúde, longevidade, agilidade, velocidade e “sensores olfativos aprimorados para farejar bombas”. A meta final é produzir o que o executivo descreve como “um novo tipo de cachorro”.

Tecnologia genética e clonagem em laboratório

Para viabilizar o projeto, a equipe analisou duas das raças mais eficientes no trabalho operativo — o pastor-alemão e o pastor-belga malinois — e reuniu linhagens celulares em um biobanco próprio. A partir daí, os cientistas pretendem alterar o código genético dos animais para eliminar traços negativos e incorporar vantagens funcionais. Os primeiros animais clonados e incubados devem nascer no início do próximo ano, com expectativa de atuação em campo dentro de dois anos.

O processo de clonagem é liderado pela Viagen, subsidiária da Colossal. O CEO destaca que o método possui uma taxa elevada de sucesso e já é empregado nas iniciativas de preservação de espécies ameaçadas da organização biotecnológica.

Integração de equipamentos de proteção

Enquanto a genética dos animais é modificada pela frente biológica, a Anduril entra com suporte tecnológico de hardware e software. A ideia é equipar os cães e seus treinadores com acessórios avançados, a exemplo de coletes blindados dotados de sensores capazes de transmitir dados em tempo real sobre o cenário de combate.

“A ideia é: se a gente deixar o cachorro mais seguro, mais saudável e com melhor desempenho, ele vai render mais em serviço”, pontua o executivo. Ele reforça que a atuação da parceira ocorre “em cima do cachorro, não dentro dele”, servindo também para resguardar a integridade física dos operadores humanos.

Com essa estrutura, os animais modificados devem assumir funções consideradas excessivamente perigosas para pessoas ou complexas demais para robôs, como a varredura de artefatos explosivos e missões complexas de resgate em território hostil.

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