Setembro Amarelo alerta para prevenção do suicídio

Setembro Amarelo alerta para prevenção do suicídio

Setembro é o mês conhecido pela prevenção do suicídio. O Setembro Amarelo ocorre há 4 anos para promover conscientização, orientação e discussão sobre o suicídio e suas formas de prevenção.
De acordo com o psicólogo Ricardo Purini, o lema da campanha é “Falar é a melhor solução” e chama a atenção tanto para as pessoas em risco de suicídio, quanto para os familiares, amigos e profissionais da saúde que convivem com estes indivíduos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), na faixa etária entre 15 e 35 anos, o suicídio está entre as três maiores causas de morte. Dentre os fatores de risco, o psicólogo alerta para tentativa de suicídio anterior e transtorno mental, que é quando se deve ficar mais atento.
Purine explica que para chegar ao suicídio, o indivíduo em sofrimento passa por estágios. “De início, há a imaginação ou a contemplação da ideia suicida. Depois, o desenvolvimento de um plano de como se matar, que pode se dar por atos reais ou imaginários, até a ação destrutiva concreta. Entretanto, nem sempre ocorre um planejamento. Três características são próprias das pessoas sob risco de suicídio – ambivalência, quando ainda se pensa em ou até se tenta, mas há predomínio do desejo de vida sobre o desejo de morte, e aí se pode investir firmemente na prevenção do suicídio; impulsividade, já que o suicídio pode ocorrer também num ato impulsivo e, intervindo-se nesses momentos, diminui-se o risco suicida; e, também, a rigidez/constrição, que é quando a consciência da pessoa passa a funcionar de forma dicotômica: tudo ou nada. Não se é capaz de perceber outras maneiras de sair do problema”, esclarece.
O profissional explica que as pessoas em sofrimento e com ideias de morte comunicam, mesmo que nas entrelinhas, seus sentimentos e intenções, e por isso deve-se estar atento ao discurso do indivíduo doente. “Frases como ‘querer morrer’, ‘desistir, ‘largar tudo’, ‘inutilidade’ requerem atenção e são sinais de alerta”.
Outros sentimentos principais quando o assunto é suicídio são os famosos 4Ds – depressão, desesperança, desamparo e desespero. “Quando há o discurso com as palavras-chave mais estes sentimentos, deve-se investigar cuidadosamente: o alerta está vermelho”, ressalta.
Purine ressalta que depressão e o suicídio são um quadro mais comum ou de maior frequência, e é importante falar da associação da depressão e suicídio. “A depressão acomete, ao longo da vida, entre 10 e 25% das mulheres e entre 5 a 12% dos homens. Sendo que, entre os pacientes graves, 15% se suicidam. É um número alto, a meu ver”.
Os sinais de depressão que merecem atenção e devem ser analisados por profissionais capacitados são tristeza; perda de prazer em atividades rotineiras; irritabilidade ou humor deprimido em crianças e adolescentes; desesperança; queda de libido; perda ou ganho de peso; dormir demais ou de menos; cansaço; sentimento de inutilidade ou culpa; ansiedade; dificuldade de concentração e memória; e pensamentos frequentes de morte e suicídio.
“Quando ainda leve, a depressão pode ser tratada apenas com psicoterapia, mas se tornando moderada ou grave, há necessidade de tratamento medicamentoso. O mais importante: ser acompanhado por profissionais capacitados: psiquiatra e psicólogo”.
Para ajudar pessoas que estão em risco, é preciso falar sobre o assunto. “As tentativas de suicídio devem ser levadas a sério. Muitos pensam imediatamente que a pessoa quer chamar a atenção. Eu digo que é um modo cruel de se fazer isso e indica sofrimento e necessidade de ajuda. Um erro de cálculo pode culminar na concretização do ato”, afirma.
“É importante frisar que o que dirige o ato suicida é uma dor psíquica insuportável e não uma atitude de covardia diante da vida ou um ato de coragem. E essa dor precisa ser tratada. Precisamos dar valor à Saúde Mental e aos profissionais que cuidam dela”, ressalta Purine.
Para finalizar, o profissional ensina como prevenir o suicídio. “Com a promoção da saúde mental, com atitudes e comportamentos que contribuam para uma autoestima elevada; em um bom suporte familiar; no desenvolvimento de laços sociais bem estabelecidos com família e amigos; em se ter religiosidade e razão para viver; e outras maneiras, mas sobretudo, em se cuidar constantemente da saúde mental, assim como se valorizam os demais cuidados com a saúde ao longo da vida”, finaliza.