“O melhor remédio ainda é a prevenção”, diz mulher que venceu o câncer

“O melhor remédio ainda é a prevenção”, diz mulher que venceu o câncer

Outubro é o mês conhecido pela luta contra o câncer de mama. Nesta edição, o Jornal da Cidade traz a história da professora aposentada Geiza Mara Assis Martins, de 53 anos, que venceu o câncer de mama.
Geiza conta que o câncer apareceu na vida da sua família em 1997, quando seu esposo Antônio Martins foi diagnosticado com seminoma de testículo. “Enfrentamos uma batalha, pois era totalmente desconhecido por nós. Mas ele foi operado, fez 20 radioterapias, acompanhamento por 5 anos e está totalmente curado”, conta.
E a história com a doença não parou por aí. “O câncer acometeu também minha mãe, Genuerfa, que foi diagnosticada com câncer de intestino. Foi outra batalha, infelizmente dessa vez não conseguimos vencê-la e ela viajou para o céu em novembro de 2007, como eu digo para o meu filho Eduardo, para que ele entenda que um dia vamos nos reencontrar”, ressalta.
Ela conta que em julho de 2011 falou para o esposo Martins que precisava ir ao ginecologista, já que fazia dois anos que ela não realizava exames preventivos. “Lembro que comecei a fazer mamografia aos 38 anos, pois tinha uma tia materna que retirou um seio há mais de 25 anos. Mas tinha certeza de que nunca seria acometida com câncer, achava que como tinha amamentado meus dois filhos por 5 anos, estaria imune”, conta.
Ela se recorda que quando levou os exames para o ginecologista, a doença estava lá, e ela deveria dar segmento com investigação através de biópsia. “E assim foi, é uma sensação de impotência, temos a impressão que tem algo dentro de nós, que não sabemos como lidar, aí aparece o medo de morrer, deixar sua família. A primeira coisa que vem a mente são os filhos, querer e precisar cuidar deles! Para mim foi muito difícil, penso muito no Eduardo, meu menininho especial”, detalhou.
“Chegando ao primeiro médico perguntei porque tinha um câncer de mama se amamentei meus filhos durante 5 anos. A resposta foi que isso era para mulheres que tinham praticamente uma gravidez atrás da outra e logo já entravam na menopausa, isso já não existe mais. Hoje, o melhor remédio é a prevenção”, se recorda.
Geiza retirou totalmente a mama direita e colocou uma prótese no dia 18/10/2011. Porém, infelizmente foi acometida de uma infecção e em 12/11/2011 teve que retirar a prótese.
“E a vida continuou, chegou a vez das quimioterapias. Foram 16 quimioterapias, 4 brancas e 12 vermelhas. Chega o momento que você precisa muito da família e dos amigos. Graças ao bom Deus, nunca me faltou nem um dos dois. Meu marido deixou a vida profissional, trabalhava como representante comercial, e me ‘pegou no colo’. Foi uma fase muito difícil, o corpo fica frágil, a quimioterapia parece que quer te consumir, mas passou. Continuei tomando por cinco anos um remédio chamado Tamoxifeno, para prevenção do câncer”, conta.
Porém, o momento mais difícil para Geiza foi quando os cabelos começaram a cair. “Não é fácil enfrentar a doença, mas o que mais me deixou triste, foi o dia que meus cabelos começaram a cair. Me deu um desespero, chamei a minha filha Stella e com um tufo de cabelo na mão pedi que ela ligasse para minha amiga e cabeleireira Elisa Brachela, para raspar minha cabeça, isso era quase 21h”, recorda.
Ela conta que depois das quimioterapias ainda voltou para sala de cirurgia para colocar a prótese perdida e retirei o seio esquerdo, colocando também prótese. Também por prevenção a pedido médico, foram retirados o útero e ovários.
A professora relata que o tratamento nunca acaba e por isso é importante que homens e mulheres façam exames preventivos, pois eles são fundamentais para diagnosticar.
“Deixo aqui uma mensagem que considero ser de muita importância, prevenção! Não se descuidem, façam seus exames. Eu descobri que a melhor coisa é quando os exames não acusam nada. Falo isso porque têm pessoas que pensam ‘para que fazer exames, dá trabalho é complicado’. Não fazer exames é correr o risco de ser tarde demais. Aproveitem as campanhas que a Saúde do Brasil tem disponibilizado e realizem os exames”.
Geiza aproveita para agradecer a todos os amigos e familiares que estiveram com ela durante o tratamento contra o câncer. “Obrigada pelo carinho, amor, dedicação, por vezes ficarem bravos pela minha teimosia, pelas risadas, como me fizeram bem, pelas orações, promessas, abraços, afagos, enfim por estarem do meu lado. Gostaria de citar o nome de todos, mas agradeço a todos através do pai dos meus filhos e o grande amor da minha vida meu marido – Antônio Martins”, ressalta.
Para finalizar, Geiza se coloca a disposição para ajudar quem precisar. Aprendi que estar do lado das pessoas nestes momentos é um grande remédio. Não sou perfeita, mas quero muito doar amor, no momento em que alguém precisar”, finaliza.